A industria têxtil brasileira trouxe para a Organização Internacional do Trabalho (OIT) um debate que considera ‘crucial’ para a sobrevivência de seus produtores, propondo sobretaxa temporária contra concorrência desleal no mercado do setor. O alvo dessa vez é não apenas a China e outros produtores asiáticos, mas também a concorrência africana, cada vez mais organizada com capitais internacionais, sobretudo chineses.

“O jeito é impor penalidades temporárias para quem pratica dumping social, trabalhista, ambiental e previdenciário”, diz o presidente da Associação Brasileira da Industria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, que participa da conferência internacional do trabalho. “Os produtos são globais, os modos de produção terão de ser cada vez mais globais”, diz o executivo. “Estamos disputando mercados num cenário em que não há equilíbrio competitivo entre os marcos regulatórios de custo de produção. A OIT e a Organização Mundial do Comércio (OMC) precisam discutir isso.”

Para Pimentel, as projeções para o setor de têxtil e confecções no Brasil, que faturou US$ 56 bilhões em 2012, justificam maior reação por parte do Brasil na cena internacional. Segundo a Abit, os importados têm 30% do consumo nacional na área de matérias-primas (fios, tecidos, filamentos).

Na área de confecção está o maior risco, com o produto importado tendo multiplicado por cinco sua participação no consumo nacional aparente, atingindo 15% do mercado. Nos grandes varejistas, o percentual chega a 35%. “Se nada for feito, chegaremos em 2025 com apenas 40% a 45% do mercado de confecções’, diz Pimentel.

Além da ação na cena internacional, a industria têxtil vai propor ao próximo governo a criação de um regime tributário competitivo para a confecção, com o objetivo de reduzir a carga tributaria, auxiliar na formalização e induzir na consolidação do segmento.

Isso é considerado ainda mais necessário porque tudo indica que a industria nacional ficará só com metade do mercado de confecção. Para a Abit, o regime especial para confecções ajudaria a criar grandes grupos para atender ao mercado nacional e ser plataforma exportadora.

Segundo o presidente da Abit, a produção brasileira de têxteis e confecções foi mais fraca no segundo trimestre, depois de boas vendas entre janeiro e março. Segundo Pimentel, às vésperas do início da Copa o índice de confiança do consumidor piorou, assim como está também ruim o indicador entre os empresários.

No primeiro trimestre, o segmento de confecções conseguiu aumento de vendas de cerca de 4%, enquanto o de têxteis caiu 4%. Já em abril e maio, as vendas de confecções caíram e anularam o ganho do começo do ano. Em junho, as encomendas tambem já diminuíram, ou estão estagnadas.

No caso de têxteis, diz Pimentel, as vendas caíram tanto por causa da dura concorrência dos importados como também pelo custo da energia. O presidente da Abit conta que algumas empresas preferiram ofertar sua energia no mercado e reduzir um pouco produção, porque ganham assim mais que produzindo. “A produção não está dando nenhum lucro espetacular, pelo contrário”, disse. Segundo o executivo, no custo de transformação, excluindo matéria-prima, a energia chega a representar 28%.

Fonte: Valor

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